Duas rodas
O que foi feito para ser seguro, nem sempre é
Situação de algumas ciclovias em Pelotas faz com que ciclistas precisem fazer manobras para conseguir chegar ao seu destino com segurança
Carlos Queiroz -
Pelotas possui cerca de 60 quilômetros de faixas exclusivas aos ciclistas, quantidade que deve aumentar com as obras em andamento. Desde 2013, quase 49 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas foram implantadas, segundo a prefeitura. Porém, quem circula por esses espaços percebe que, em muitos casos, falta manutenção.
Na avenida Fernando Osório, no bairro Três Vendas, trechos evidenciam essa situação. Em uma extensão da rua Osmar Schuch e até a avenida Leopoldo Brod, o material utilizado sofreu degradação e buracos aparecem. Em alguns pontos já não existe a camada de asfalto.
Na avenida 25 de Julho a situação é pior. Não há espaço exclusivo para ciclistas e a alternativa é trafegar na pista, disputando espaço com carros e veículos de grande porte. Temendo acidentes, há quem opte pelas calçadas, entre pedestres.
Reivindicação de moradores
Mesmo em construção, a ciclovia da Ildefonso Simões Lopes, nas Três Vendas, já gera reclamação dos moradores e usuários. No local de movimento intenso, os ciclistas precisam disputar espaço com veículos. Sobretudo no trecho em que a ciclovia termina e direciona os usuários ao acostamento quase inexistente.
Marco Pereira, 55, é morador do bairro Arco Iris há 27 anos e conta que já presenciou acidentes na avenida devido à falta de estrutura para ciclistas. Ele reclama que o lado em que está sendo construída a ciclovia é oposto ao bairro, sendo um risco para quem pedala. “Para não andar no acostamento, o ciclista se obriga a atravessar ao outro lado para correr menos risco. Imagina no inverno, à noite, com pouca luz, andar encostado nos carros.”
Ao lado da avenida existe um canal com pouca passagem de água. A sugestão de Pereira para solucionar parte do problema é o corte das árvores em volta do córrego e a colocação de aterro. O morador acredita que seria possível ligar as ciclovias, dando mais de segurança. “Da maneira como está, vai continuar fazendo vitimas. São chefes de família que estão vindo do trabalho e podem perder a vida em uma pista mal planejada”, argumenta. O autônomo diz ainda que entrou em contato com a Secretaria de Transporte e Transito (STT) e que teria sido informado que o secretário Flávio Al Alam estaria acompanhando a situação, garantindo pista segura.
A prefeitura afirma que serão 4,33 quilômetros de ciclovia entre as avenidas São Francisco de Paula e Leopoldo Brod, com mais da metade do projeto concluído. O custo é de mais de R$ 1,8 milhão.
Justificativas públicas
Sobre a situação da avenida 25 de Julho, a prefeitura informou que não há previsão para construção de ciclovia ou ciclofaixa no local. Flavio Al Alam indica que, para os ciclistas da região, já existe via com essa finalidade que segue da Fernando Osório até a BR-116 pela avenida Leopoldo Brod. No trajeto, o percurso aumentaria 1,7 quilômetro. Sobre o trecho da ciclovia na Fernando Osório, o secretário garante que será requalificado, com equipe da Secretaria de Obras e Pavimentação indo ao local nos próximos dias verificar a situação. Quanto à reclamação dos moradores do Arco Iris sobre a construção da ciclovia, o secretário de Planejamento e Gestão, Roberto Ramalho, explica que foi feito estudo sobre o lado mais seguro e viável e, por isso, haveria a mudança de lados em dois momentos. No entanto, explica que a construção foi feita por empresa como contrapartida compensatória. Sobre a ciclovia acabar abruptamente, argumenta que se deve ao fato de existirem trechos longos já concluídos, faltando apenas detalhes. “Entre dar mais segurança para que as pessoas circulem, mesmo que em uma via ainda não finalizada, ou proibir que transitem no local e precisem dividir a pista com outros veículos, optamos por deixar a circulação aberta, oferecendo mais segurança.” Além da ciclovia na avenida Ildefonso Simões Lopes, também há construção de pista destinada aos ciclistas na avenida Senador Joaquim Assumpção, via de acesso ao Laranjal. O secretário adianta que uma nova via para bicicletas deve ser construída na rua Doutor Amarante para ligar o eixo Leste ao restante da cidade.
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